Onde deve ocorrer o embate com o crime organizado.



Com o fim da guerra fria, por volta de 1989 com a queda do Muro de Berlim, uma batalha travada no campo da espionagem internacional por homens altamente treinados, mas que num dado momento se viram sobrando num cenário político mundial em desordem e com uma vasta gama de informações privilegiadas de muitos países, principalmente os emergentes, para onde foram estes agentes? De que forma foram aproveitados? E principalmente, de que forma poderiam ser controlados?


Alguns foram recrutados por grandes corporações, uma parte para o segmento privado de inteligência e alguns para máfias criminosas. Agora imaginem se um grupo destes agentes, chamaremos doravante de célula, se instalando para fins criminosos aqui no Brasil, como seria sua escalada em nosso país?


Neste período o Brasil passava por grandes transformações políticas, era o fim do período militar em 1985 e a promulgação da constituição em 1988, o cenário ideal para a instalação destas células.


Algumas vertentes acreditam que isto de fato ocorreu e sua implantação trouxe de arrasto a evolução do crime organizado a níveis jamais vistos por aqui. A onda de sequestro que se sucedeu naquela época atingiram patamares alarmantes tendo como alvos personalidades de destaques na economia e da alta sociedade brasileira. Este modelo de ataque se mostrou o mais eficiente para a captação financeira vultuosa e que se destinou a consolidação deste plano criminoso.


O país não tinha consolidado ainda uma política de segurança pública, que na ocasião passaram para as mãos de autoridades civis. Os organismos de imprensa não tinham preparo e nem integração com o novo governo para a gestão desta modalidade de crime, e consequentemente corroborou muito para o pânico endêmico da sociedade inflamando com notícias integrais dos sucessos dos sequestros e principalmente mencionando as cifras envolvidas nos resgates.


Estas informações publicadas de forma desenfreada atenderam ao propósito do cronograma e planejamento criminoso, pois foi o incentivador para o surgimento de uma outra casta de criminosos chamados aqui de circunstanciais, no entanto uma derivação convergente com a inteligência do crime.


Estes criminosos sem expressão, ao observarem diante das circunstâncias, as cifras envolvidas começaram a se questionar se não haveria espaço para eles, foi dai que surgiram os sequestros de pessoas comuns, como os donos de mercadinhos, padarias, postos de gasolinas e outros, por consequência trouxe uma grande demanda para as policias, que ainda não tinham uma divisão especializada consolidada, equipamentos e nem política para o controle financeiro dos sequestrados.


No entanto estes oportunistas poderiam comprometer interesses maiores das células de inteligência, daí a preocupação em controla-los e isto só seria possível de dentro dos presídios.


Ocasionalmente uma célula internacional de sequestradores foi presa por um erro aparentemente primário, ao deixarem um cartão de visita no interior de um dos carros envolvidos na ação.


Pouco tempo depois eclodiu de dentro das cadeias a organização criminosa do PCC e numa sequência sistemática que envolveu paralisações coordenadas de todas os presídios, ataques à delegacias e batalhões de polícia militar, este foi o prenúncio da demonstração de forças envolvidas que se vê até os dias de hoje.


Um outro viés deste planejamento pode ser visto desta forma hipotética:

A célula embrionária recruta e investe na carreira de jovens de comunidades carentes na faixa de seus 17 para 18 anos, período do serviço militar obrigatório, após o cumprimento deste estágio saem com formação militar de disciplina, conhecimento de táticas operacionais de combate e domínio no emprego de armas de fogo de diversos calibres.


Seguindo ainda no campo da hipótese, será tratada a projeção deste jovem que deverá cursar uma Faculdade de Direito, numa cronologia específica deste planejamento criminoso, assim sendo:


1. Este jovem que ingressou nas forças armadas, ao final de 1990 ocorre a sua dispensa do serviço militar obrigatório;

2. Em 1991 Ingressa na Faculdade de Direito;

3. Em 1994 forma-se Bacharel;

4. Em 1995 passa no concurso público para Delegado de Polícia;

5. Em 1998 passa para o concurso de Promotor Público, e assim se daria a progressão de promoções, inclusive em outras áreas das esferas públicas e privadas.


Onde estão estariam hoje em dia estas pessoas?


A importância desta dissertação é para a compreensão do que se enfrenta hoje no embate com o crime organizado.


Não se pode ter qualquer pretensão de enfrentar ou subjugar os criminosos fortemente armados como estão, além do que o código penal impõe limitações de ação ao cidadão de bem e a legislação da categoria de segurança privada é limitada no emprego de arma de fogo.


Portanto esta luta deve ser travada no campo da inteligência tática, da informação e principalmente na fase de seu planejamento, mostrando a inviabilidade financeira na relação custo benefício da investida criminosa, onde seu risco deve se mostrar maior do que a vantagem financeira, onde o tempo da sua ação seja tão curto quanto o tempo de reação das forças policiais. Se atacarmos nestes meandros entraremos na faixa excludente do risco. E é aí que entram as tecnologias disponíveis estrategicamente amarradas por redundâncias.


A compreensão dos fundamentos do planejamento do crime: COGITAÇÃO / PREPARAÇÃO / EXECUÇÃO / CONSUMAÇÃO, mostra que o mais inteligente é aplicarmos nossas estratégias nos dois primeiros estágios. A segurança preventiva!


Bernardino de Jesus

Consultor Sênior de Segurança





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Bernardino de Jesus  |  Especialista em Segurança Física de Instalações  |  BJ Assessoria e Consultoria de Segurança  |  011 99223-7529 

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