Conceitos primários da segurança física de instalações.


O objetivo deste artigo é o de contribuir com as explicações das premissas que envolve conceitos e fundamentos da segurança física de instalações. Este se faz necessário pela simples razão de que hoje em dia o bombardeio de informações equivocadas e não fundamentadas dificultam a viabilidade de muitos projetos de segurança por profissionais sérios e dedicados.


O desgaste gerado por estas desinformações remete ao descrédito desta categoria, os quais são colocados no mesmo balaio da vulgaridade de certa fatia do mercado. Estes especialistas, num momento muito delicado, precisam convencer de que não são mais um dos quais estes clientes estão acostumados, no entanto, o estado de ânimo refratário com opiniões preconcebidas e equivocadas e certa agressividade, testam a resiliência destes profissionais a pontos extremos da paciência.


Aquele que consegue transpor esta etapa acaba por sua vez esbarrando na dificuldade de justificar o valor intangível de seu conhecimento, traduzido nas duras negociações de suas propostas comerciais.


O fato exposto como mero comentário negativo, por si só, não contribuirá para as mudanças deste cenário, por isso o objetivo deste artigo é também trazer, humildemente, uma colaboração para a melhoria deste processo que envolve o tema.


Conceitos de Segurança Física de Instalações


Esta modalidade é construída na compreensão pragmática dos Três Anéis de Proteção, como exposto no filme anexo:


1. Anel externo

2. Anel intermediário

3. Anel central


O primeiro, ANEL EXTERNO, refere-se aos sistemas de proteção perimetral e estes devem ter duas propriedades primárias: RETARDO e DISSUASÃO


O retardo envolve característica de resistência, ou seja, de contenção, daí temos os muros de alvenaria, gradis de aço e vidros temperados, normalmente alinhados aos conceitos arquitetônicos do projeto, dentre poucas outras mais opções.


Como fator de dissuasão temos as cercas elétricas robustas composta por arames de aço carbono, galvanizado e específico para essa finalidade; cercas concertinas diversas; sensores de detecção de presença, tais como: células de infravermelho, micro-ondas, microfônicos, sensores de fibra ótica, sensores térmicos, analíticos, elétricos, eletrônicos, a laser, radares e etc.


O sucesso como primeira barreira de proteção decorrerá da interface de plataformas especificas que agreguem além dos fatores primários os elementos de redundância que se complementam, tipo: uma cerca elétrica de arame de aço carbono, monitorada por centrais de alarmes ou sensores de detecção integrados ao sistema de câmeras de CFTV, normalmente por contato seco soma-se a isso a cobertura por softwares analíticos embarcados na própria câmera, cenário ideal.


Existem outros elementos de segurança somados a infraestrutura que corroboram para o sistema de defesa, no entanto estes têm um perfil específico para instalações de alta segurança, soluções do tipo: bancos de areia com cabo de micro-ondas subterrâneo, câmeras térmicas com analíticos de barreira, com linhas de aproximação integradas a presets de câmeras com zoom de longo alcance e câmeras fixas. Dupla cerca de aço metal com zona neutra, no entanto estas soluções precisam estar alinhadas aos fatores de probabilidade da ocorrência, impacto por perda financeira e imagem e sua relação de custo-benefício. No entanto independente do que você irá propor no seu projeto, estes conceitos precisam ser empregados.


O controle de acesso, componente do perímetro, deve ser tratado e aqui o será como capítulo à parte.


Outro ponto a se tomar muito cuidado é uma boa análise dos custos com infraestrutura, alimentação de energia e tráfego de dados, isto pode ter um grande impacto no seu projeto.


Trate com muito cuidado as proposições que envolvam fibra ótica e alimentação elétrica; POE – Power Over Ethernet e transmissões por rádio wireless ponto a ponto.


O segundo, ANEL INTERMEDIÁRIO, deve ser considerado sob o aspecto da possibilidade de falha do primeiro anel externo, tendo sempre em mente que o foco de maior preocupação é a edificação, o alvo criminoso, e este se encontra no raio de proteção do anel central.


Os sistemas de proteção deste setor são basicamente os equipamentos de detecção por câmeras de CFTV, softwares analíticos e sensores de presença. Recomenda-se sua aplicação a partir da edificação apontando para o perímetro cobrindo a aproximação em direção ao alvo, no entanto, isto depende das características arquitetônicas da instalação, mas esta recomendação também considera o aspecto da otimização do emprego da infraestrutura.


Os equipamentos periféricos de detecção de presença, aproximação, intrusão de área delimitada e outros, deve-se sempre ter em consideração a sua integração com as câmeras de CFTV, ressalto que esta premissa precisa ser considerada na escolha do modelo da câmera levando em conta a sua capacidade de processamento, tráfego de dados, da sua interface com os ativos de rede e o servidor central.


O terceiro, ANEL CENTRAL, se o problema chegou até aqui é porque nas duas outras barreiras houve alguma falha grave, seja por pane espontânea, sabotagem ou facilitação de agentes internos. A proteção deste setor deve ponderar sobre estes aspectos de vulnerabilidades.


O principal fator neste nível de proteção, além da redundância, é a sua arquitetura/topologia que deve ter um caráter diferenciado e altamente protegido por medidas contingenciais, desde a sua infraestrutura apartada, ativos de rede específicos, alimentação principal e auxiliar, além de um rígido protocolo operacional com deliberações de acesso por intervenção humana, um agente da central de controle operacional, que após certificar-se dos níveis de acesso segue processos claros, objetivos e principalmente auditáveis por rastreabilidade de ações demandadas e imagens gravadas.


Os equipamentos aplicáveis neste setor são dispositivos de controle de acesso, comunicação por rádios, telefones fixos e móveis, interfones e aplicativos, sensores de presença, de intrusão, de impactos e câmeras de CFTV, além de dispositivos de fechamento e abertura de portas com proteção por intertravamento e botoeiras de alarmes de pânico. Considere também, dependendo do nível de proteção exigida, aspersor de fumaça, barreira de som e auto-falantes remotos.


Quando se fala de proteção neste nível remete-se a instalação de uma central de controle operacional – CCO para a gestão centralizada de todos os níveis de operações. Este também será um capítulo de um novo artigo.


Considere sempre que: não existe projeto caro, mas sim projeto mal concebido e mal vendido.


Bernardino de Jesus

Consultor Sênior de Segurança





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Bernardino de Jesus  |  Especialista em Segurança Física de Instalações  |  BJ Assessoria e Consultoria de Segurança  |  011 99223-7529 

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